A Verdade Sobre o São Paulo e o Estádio (?) Palestra Itália

Não é de hoje que o fasci-me-rir costuma justificar seu ódio contra a SOBERANIA, dizendo que o São Paulo FC quis tomar o seu estádio ( como se fosse grande coisa ), pra si.

Como tais afirmações não tem embasamento histórico ou jornalistico, elas sempre me causaram perplexidade e inconformismo. Como poderia um gigante querer algo que é de outros ?

Mesmo no estado novo de Getúlio Vargas, um momento conturbado em função da guerra e da intolerância racial,  havia leis; e naquela época, mais que hoje, o estado estava disposto a fazer com que fossem cumpridas.

A constituição vigente no periodo em questão, assegurava o direito a propriedade incluindo de estrangeiros, e no caso de desapropriação, o proprietário ( pessoa física ou jurídica ), teria direito a indenização.

A primeira Carta Política editada em 1934, art. 113, 17, diz o seguinte:

“É garantido o direito de propriedade, que não poderá ser exercido contra o interesse social ou collectivo, na forma que a lei determinar. A desapropriação por necessidade ou utilidade pública far-se-á nos termos da lei, mediante prévia e justa indemnização. Em caso de perigo imminente, como guerra ou commoção intestina, poderão as autoridades competentes usar da propriedade particular até onde o bem público o exija, ressalvado o direito a indemnização ulterior”.

Fonte Jus Vigilantibus

Portanto, afirmar que o São Paulo FC quis tomar o pinga mijo é balela e conversa de bêbado em boteco do Bixiga. Porque ainda que houvesse a desapropriação ( somente o estado pode desapropriar ), haveria indenização. O São Paulo lógicamente nem poderia desapropriar como não poderia pagar indenização, e se fosse pagar, pra que comprar uma PORCARIA como esse estádio ?

Mas como vocês sabem, uma mentira repetida muitas vezes se torna verdade. Pelo menos até que alguém resolva apurar a verdade real, sem cortes e edições.

O fato é que o fasci-clube, foi reduto de seguidores de Hitler e Mussolini, imigrantes que trouxeram seus ideais de superioridade racial e xenofobia. Que lutavam, mesmo a distância pela vitória do Fuhrer e do Duce na guerra da limpeza étnica da europa. E para isso colaboravam com seus paises de origem com ajuda financeira em troca de títulos de nobreza.

Tal comportamento não patriota, ou patriota com seus paises de origem, gerou problemas com o governo de Getúlio que os obrigou a mudar de nome e  se abrasileirar, como já foi dito aqui em outra oportunidade.

Uma pesquisa publicada em 2006 por um historiador da Faculdade de Fliosofia, Letras e Ciências Humanas da USP, mostra a versão imparcial e real da cena que ocorreu naquele período de 1937 a 1945, desmistificando e desmascarando essa inverdade:

“O historiador Alfredo Oscar Salun aponta que na época da entrada do Brasil na Segunda Guerra Mundial, em agosto de 1942, Corinthians e Palmeiras foram forçados a expulsar cerca de 150 sócios de origem estrangeira, inclusive alguns de seus dirigentes. Os dois clubes estavam entre as entidades atingidas pela legislação repressora do Estado Novo, especialmente de 1941 até 1945, quando aumentou o rigor na vigilância da polícia política aos grupos estrangeiros e seus descendentes.

Vigilância

A desobediência às normas de nacionalização poderia levar ao fechamento dos clubes. No caso do Palestra Itália, isso gerou rumores não confirmados de que dirigentes do São Paulo manobravam nos bastidores para tomar seu patrimônio“, relata Alfredo Salun. “Os boatos e a mudança de nome para Palmeiras, em 1942, tornaram o episódio marcante na história do clube e dos seus torcedores, ao contrário dos fatos ocorridos no Corinthians.”

Equipes mais populares da época, Palestra Itália (antigo nome do Palmeiras) e Corinthians atraíam grande número de torcedores de origem imigrante, muitos dos quais operários, caracterizando-os como times populares. “Quando o Brasil declarou guerra à Itália, Alemanha e Japão, a vigilância aos estrangeiros pela Delegacia de Ordem Política e Social (DEOPS) aumentou, devido a suspeitas de espionagem”, conta Salun.

“No Palestra Itália, predominavam os italianos, e no Corinthians havia também italianos, além de espanhóis, alemães e até árabes”, explica o historiador, que pesquisou os efeitos das medidas de nacionalização para sua tese de doutorado no Núcleo de Estudos de História Oral (NEHO) na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP.

Após a entrada do Brasil na guerra, o Conselho Nacional de Desportos (CND) baixou uma série de regulamentações para o esporte, em acordo com o projeto nacionalista do regime do Estado Novo (1937-1945). “Os clubes de futebol foram atingidos, tendo que expulsar dirigentes e associados estrangeiros, principalmente os ligados aos países do Eixo, rotulados como ‘Súditos do Eixo’.”

A aplicação das leis levou a destituição do presidente do Corinthians Manuel Correncher, espanhol de nascimento. “O clube conquistou vários títulos na gestão de Correncher, considerado uma figura folclórica, comparada a de Vicente Matheus”, conta Salun. “A presidência foi assumida por Mario de Almeida, interventor indicado pelo CND, que ocupou o cargo por alguns meses, até o clube escolher um novo presidente.”

“Em um clube é uma história conhecida e celebrada e no outro, silenciada e apagada”, destaca o historiador. Nesse aspecto, o pesquisador desenvolve um trabalho em História Oral, com torcedores, jogadores e dirigentes. “Esses clubes não foram os únicos na capital paulista que foram alvos da repressão, mas tinham maior torcida e prestígio.”

Reuniões de diretoria dos dois clubes só eram feitas com autorização da DEOPS e a presença de um agente do órgão. “Os clubes também precisavam de permissão oficial para jogos fora de São Paulo, especialmente no litoral, devido a importância estratégica das regiões costeiras na Segunda Guerra Mundial.”

Após as expulsões, Corinthians e Palmeiras realizaram uma “campanha de nacionalização” para atrair novos sócios, nascidos no Brasil. “A imprensa da época viu essa iniciativa como uma prova de patriotismo”, diz Salun. “Os estrangeiros expulsos começaram a retornar aos clubes após 1945, como reflexo do final da Guerra, de medidas liberalizantes adotadas pelo governo de Getúlio Vargas e o fim da perseguição à ‘quinta-coluna’, espiões e os ‘Súditos do Eixo’.”

http://www.usp.br/agen/repgs/2007/pags/002.htm

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33 Respostas to “A Verdade Sobre o São Paulo e o Estádio (?) Palestra Itália”

  1. Guedes Says:

    Simplesmente sensacional. Muito bom.
    Eu acho que noticiar as coisas do São Paulo é preciso, porque todo mundo quer saber o que o clube anda fazendo e os rumos que anda tomando.
    Mas eu acho que conhecer a história, e principalmente a verdade é muito necessário, não digo que é mais necessário que estar atualizado, mas dá argumentos pra debater e principalmente destruiur as mentiras que dizem a nosso respeito.
    Parabéns pelo post.

    Lina: Valew Guedes. É NOI_X_ ! 8) Vamos deixar as quengas com a calcinha na mão.

  2. Lesto Says:

    Deixa eu te falar uma coisa tenho um tio que era sócio do palmeiras, era porque já faleceu e ele me falava que este papo era furado que nunca houve nem a hipótese de o São Paulo querer o parquinho dos porquinhos, na época o assunto surgiu como gozação entre os torcedores e muitos babacas para justificar os fracassos do timeco da Turiassu propagavam esta historia.
    Na moral acho que só o Seo Cruz ainda acredita nesta fantasia.

    Lina: Esse mané ai que tu falow é um otário que deve ter sido currado por um sãopaulino.

  3. Lucas HEXA Says:

    Xandão: ‘A camisa não pesa, visto desde pequeno’
    18/02/2010 10:09

    Imagina só Lina, o moleque tem personalidade, não é qualquer um que fala isso, vai ser idolo logo, logo.

    Lina: PQP cara, sinistro, classe a. Esse sim merece vestir o manto !

  4. Lesto Says:

    Caiu.
    Kr o Muricy acaba de ser demitido.
    Ai e te falo as quengas comandadas pelo Prof Belozer tiveram que pagar o salario do Luxa ate o termino de seu contrato (falando nisso o contrato dele já acabou ou as periquetes ainda estão pagando o kr ate hoje?) e vão ter de pagar o Muriçoca ate o fim do ano.
    Rapa os kras estão pagando os dois tecnicos mais caros do Brasil e não vão contar com nenhum deles!
    Putz este é o presidente que iria revolucionar a administração dos clubes de futebol no país?
    Salve Juvenal Juvencio o Grão Mestre dos Grãos Mestres.

    Lina: A imprensa tucana que gosta de fazer media com o Beloser. Ele também é culpado pelo mal rendimento das putas. Descontrolado que é, tocou pressão nos caras ano passado no brasileirão. Devem estar pagando a recisao do Madureira, e agora vão pagar a recisão do Muricy.
    O JJ perto desses ai é incomparavelmente melhor.

    • José Roberto Says:

      Eu morro de rir quando lembro que o Jorgin ho ganhava 10 mil e o time jogava um futebol bonito, pra frente com muitos gols, confesso que estava preocupadp na época pois o verde estava se distanciando do São Paulo.
      Mas como dirigente pensa mais na vaidade pessoal do que no clube, o invejuzzo foi buscar o muriçoca que tinha sido tri pelo Tricolaço, pagou tudo que o técnico pediu e deu no que já sabemos.
      Agora trouxeram o A. Carlos o racista, vai dar com os burros n’agua novamente ele é fraquinho.

      Lina: E o pior não é isso. Quem tem que sair não sairá. Que são o Cipullo e o Toninho Cecilio. Pergunta pro frangueiro se ele gosta desses dois ai. Mas resolveram tirar o Muriçoca pra acordar o time antes do jogo contra nós e mantiveram os dois ai mencionados pela força política do Cipullo. Agora se você ler o Birner verá que o Muricy detonou os jogadores do puteiro antes do jogo contra o São Caetano, ai lógico, fizeram corpo mole. Depois de tudo isso a gente conclui que o Muricy não é tudo isso e que o puteiro é uma merda. O São Paulo é de fato tri-campeão por méritos, pela sua organização, estrutura e elenco. Quanto ao Beloser, esse definitivamente não é do ramo, melhor se colasse no JJ pra aprender os macetes… 8)

  5. Marcelo Abdul Says:

    Por que o “SEO CUZ” (eu tirei o “r”, porque ele tem desejos de sexo anal com o goleiro Marcos) não coloca esse artigo no blog dele hein?

    Lina: Abdul, você acha mesmo que esse lixo quer divulgar a verdade ? A unica coisa verdadeira naquele puteiro virtual é a confissão do redator que quer dar o toba pro Frangueiro.

  6. Chicão Says:

    O PRINCIPIO E O FIM

    No principio foram chamados de palestrinos.
    Em seguida foram chamados de palmeirenses.
    Atualmente são chamados de porcos.
    Futuramente serão chamados de linguiça defumada , até se tornarem um monte de merda.

    Pelo visto essa atual administração não vê a hora de se tornarem os linguiças da Lapa , para poderem assumir o monte de merda que são verdadeiramente .

    Lina: Atualmente são chamadas de VAGABUNDAS, porque não sobrevivem sem abrir as pernas pra um parceiro endinheirado, vide Parmalat, Traffic e etc. Carne podre e suja não serve nem pra linguiça…

  7. Fábio Barbano Says:

    Sempre odiei esses textos que circulam na internet que pregam o ódio, por fatos e boatos que aconteceram (ou nem aconteceram) há mais de 70 anos. Infelizmente muitos torcedores levam a sério e passam adiante esse tipo de coisa, aumentando ainda mais o ódio e a intolerância entre as torcidas.

    O seu texto é bom por desmentir essa boataria toda que sempre rolou, mas acho dispensável associar o Palmeiras a Hitler, Mussolini, etc. Passou a hora do pessoal enterrar essas coisas do tempo em que a Dercy Gonçalves era virgem.

    Lina: Caro Fábio, não fiz associação, apenas mostrei que entre torcedores e dirigentes de tal clube, haviam os que eram sim simpatizantes das idéias destes dois líderes. Tanto que foram ameaçados de perda do seu patrimonio se não mudassem de atitute. Este blog não prega nem ódio, nem violência e nem acepção de pessoas por questões raciais, religiosas e políticas, e muito menos por questões de futebol. A minha intenção com a pesquisa e o texto publicado é de apenas defender o São Paulo FC das mentiras que levantam contra nós. São eles que nos associam a ditadura militar, a governadores bionicos, são eles que dizem que o Morumbi foi construido com dinheiro público ( o que também já foi provado neste blog que é mentira ), e são eles que dizem que as nossas conquistas são frutos de conchavos políticos e de compra de arbitragens.
    Todas essas mentiras, fruto da inveja de quem não consegue títulos importantes e notoriedade, continuarão a ser desmentidos por aqui. Abraços

    • José Roberto Says:

      Fabio Barbano e amigos.
      O grande problema dos torcedores dos outros clubes é que eles sabem e são conscientes da grande diferença que separa o São Paulo dos outros, então vão atacar o que?
      Nossos títulos?
      Nosso estádio?
      Nossos CTs?
      O complexo social
      A administração?
      A credibilidade?
      O patrocínio como fazem por não termos um ainda, por força do contrato com a LG?
      Então só resta falar e tentar tirar proveito antes porque sabem que nos momentos certos o São Paulo mostra toda sua força.
      Como a inveja mata, misturam as estações, tentam nos colar a imagem que somos bandidos que nada que adquirimos é de maneira lícita, pura bobagem de gente tonta porque dois dias depois sempre são desmentidos , aí ninguém fala nada e partem pra outra.
      Lembram dos casos dos meninos rebeldes, o que fizeram e falaram?
      Quem veio dizer que erraram, que o Tricolor está dando um banho, etc…?
      Ninguém, mas a raiva continua e a inveja vai consumindo dia a dia.
      Já pensaram quando o transporte moderno, rápido e seguro chegar em peso na porta do Morumbi o que essa turma vai fazer para administrar tanto ódio?
      No dia 02/10/1960 eu com 9 anos estava na inauguração do Morumbi com meu pai, irmão e cunhados, naquele fim de m undo só o Majestoso Morumbi com todo seu primeiro anel construido e metade do segundo andar, cara quando entramos eu me arrepiei todo me bateu um puta orgulho de torcer para esse time, sobre o jogo depois eu falo.
      Não esqueço um senhor que sentou ao nosso lado, cvonversando com meu pai disse: “Eu sou palmeirense, mas esse estádio quando estiver pronto vai ser o orgulho do povo de São Paulo”
      Vejam bem o que ele disse: de São Paulo e não do SP.
      Vejam que lá em cima eu falei do time do Santos de Pelé com alegria de ter assistido jogar.
      Naquele dia o senhor palmeirense torceu pro São Paulo, por ser brasileiro e pelo esforço da diretoria na construção do estádio.
      Hoje se neguinho puder coloca bomba para derrubar, é o que os curicanos sempre que podem colocam.
      O Cícero Pompeu d Toledo disse: “Se é para ser um sonho, que seja grande”, pediu que tivessemos paciência, que o clube ficaría 13 anos sem títulos, mas a partir do momento que o estádio estivesse pronto sería um dos maiores clubes do mundo.
      Esse Homem tinha ou não tinha visão futurista?
      Entenderam porque morrem de inveja?

      Lina: Perfeito, é isso mesmo. Uma das melhores explicações do surgimento do bloco da inveja que eu já li. Se você quiser escrever isso naquele padrão jornalistico eu publico aqui. Você tem meu email escreve e me manda, vamos conversar. Abraços

  8. Jerônimo Says:

    Matou a pau Lina, ou melhor enfiou a Benga no Sr. Cuz.

    Estou colando esse texto por todos lugares . Parabéns.

    Lina: Eu não quero nada com o Seo Cuz não, ele é namorado do Frangueiro Falante, eu to fora dessa viadagem ai. kkkkkkkkkkkk
    Valew !!! Obrigado !!!

  9. V.Edema Says:

    Cara, que loco !
    Você desmascarou muita inverdade que dizem contra nós !
    Vou mandar essa pra todo mundo.
    Valeu Lina !

    Lina: Manda sim velho, todo mundo tem que conhecer quem é a imundície do futebol paulista. Quem é o clubinho protegido da FPF e do governo do estado. Abraços

  10. Hannibal Says:

    Como toda a mulher da vida tem um passado obscuro… já, já vem o João Paulo babando e querendo meter a boca! kkkkkkkkkkkkkkk

    Lina: KKKKKKKKKKK

  11. Guedes Says:

    O quê ? A putada anda copiando teus textos ?
    Mama mia ! Ma che paura no ?

    HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAH

    Lina: É um cusão bunda mole.

  12. Hexa Único Says:

    Caralho !
    Esse post esculacho é de 18.02 e só agora eu vi ?!?!?!?!??!?!

    Ai mano, o cara lá no Fru-Fru ainda teve a moral de dizer que foi um internauta que mandou pra ele.
    Não teve a moral de dizer que copiou daqui.

    É um nazista filho da puta !

    Lina: Pra você ver.

  13. O Rei da América Says:

    No mínimo revelador esse texto.
    Muita porca vai ficar com o cabelo arrepiado.
    rsrsrsrs

    Lina: Fica nada, falta vergonha na cara dessa gente.

  14. Alexandre SPFC Amaral Says:

    PAUmerdenses são sujeitos nanicos d espírito e caráter!

    Enfim, esperar o q d torcedores q amam um timinho fundado por fascistas?

    Todo palmeirense (ou melhor, leãolobense) tem direta ou indiretamente as mãos emporcalhadas d sangue. ESCÓRIA IMUNDA!!!

    ps: todo palmerdense é paga-pau do SPFC

    Lina: Verdade:todo palmerdense é paga-pau do SPFC

  15. joão paulo Says:

    http://censuranuncamais.com/

    http://pt.wikipedia.org/wiki/Censura

    leia e aprenda

    Lina: Caralho muleque tu é muito mala…

  16. joão paulo Says:

    Da Carta Capital: ‘Fair-play’, só no slogan
    5 jul

    Geral

    A matéria abaixo está na edição deste mês da revista Carta Capital

    http://www.cartacapital.com.br/app/materia.jsp?a=2&a2=6&i=7231

    ‘Fair-play’, só no slogan

    A nebulosa ascensão do poderoso secretário-geral Jérôme Valcke, que causou prejuízo milionário à Fifa e está cotado para suceder Blatter, de quem sabe muito

    Há 12 anos, o suíço Joseph Blatter é o presidente da Fifa. Nos últimos tempos, no entanto, quem coloca a mão na massa e executa os principais projetos é o francês Jérôme Valcke, 49 anos, secretário-geral da Federação. Do acompanhamento das obras de estádios aos contratos de patrocínio, tudo passa por seu crivo. No Brasil, tornou-se mais conhecido após publicar um ácido relatório no qual critica a lentidão na execução das obras de infraestrutura para a Copa de 2014. Constantemente opina sobre a situação dos estádios brasileiros e teve papel decisivo na nebulosa exclusão do Morumbi do torneio.

    Tem tanto poder dentro da Fifa que se sente à vontade até para apontar o dedo ao presidente francês Nicolas Sarkozy, acusan-do-o de indevida interferência nos rumos do esporte, no episódio em que o chefe de Estado cobrou explicações dos jogadores sobre o fracasso da seleção francesa na Copa. Fontes ouvidas por CartaCapital asseguram que, em 2015, Blatter deverá indicar Valcke para sucedê-lo na presidência da entidade, a despeito das ambições de Ricardo Teixeira, chefe da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). “Não me surpreenderá se Teixeira começar a criticar Blatter nos próximos meses”, confirma o jornalista Juca Kfouri em seu blog.

    Trata-se de uma curiosa história de superação. Há quatro anos, a reputação de Valcke estava na lama. De 2003 a 2005, o francês, então diretor de mar-keting e tevê da Fifa, comandou uma desastrosa negociação de patrocínio que rendeu um prejuízo milionário à entidade máxima do futebol. Acabou afastado do cargo após uma juíza de Nova York, em dezembro de 2006, anular um contrato firmado pela Fifa com a Visa, em detrimento da Master-Card, parceira da Federação nos 16 anos anteriores. Valcke foi acusado de mentir para os dois grupos durante as negociações, fato que ele próprio admitiu em juízo. E a Fifa viu-se forçada a assinar um acordo com a MasterCard para encerrar o processo. Teve de desembolsar 90 milhões de dólares, quase metade do valor acertado no malfadado contrato com a Visa.

    A corte cancelou o negócio porque a MasterCard tinha direito de preferência na renovação do patrocínio, e isso não foi respeitado. “Além disso, a conduta da Fifa no cumprimento de sua obrigação e na negociação para o próximo ciclo de patrocínio não se caracterizou de modo algum como ‘fair-play’ (jogo limpo, em alusão ao lema oficial da Fifa)”, pontuou a juíza Loretta Preska, na sentença com 125 páginas, datada de 6 de dezembro de 2006.
    Ao término do julgamento, a Fifa reconheceu que as negociações “violaram seus princípios” e, ao justificar o afastamento do seu diretor de marketing, afirmou que “não poderia aceitar tal conduta de seus próprios funcionários”. Curiosamente, após um período sabático de dez meses, Valcke seria readmitido. Desta vez, para o cargo de secretário–geral. Virou chefe, subordinado apenas a Blatter. Espantoso? Nem tanto.

    Um documento obtido pelo jornalista inglês Andrew Jennings, autor do livro Foul! The Secret World of Fifa: Bribes. Vote-rigging and Ticket Scandals (em livre tradução, Falta! O Mundo Secreto da Fifa: Subornos, Compra de Votos e Escândalos com Ingressos), dá uma pista do que pode ter acontecido. Trata-se de uma correspondência, enviada por Blatter em 30 de abril de 2001, na qual ele reclama de uma “tentativa de chantagem” feita pela Vivendi, grupo para o qual Valcke trabalhava, contra a Fifa.

    À época, Valcke era diretor da emissora Canal+, pertencente ao conglomerado de telecomunicações francês. A Vivendi tinha interesse de comprar a falimentar ISL, que negociava os contratos de televisão e marketing da Cop-a do Mundo. Antes de bater o martelo, auditores do grupo investigaram as contas da ISL. E os franceses desistiram do negócio. Na carta, Blatter reclama ao mesmo Valcke das ameaças feitas pelo advogado da Vivendi, Alain Gloor, em duas ocasiões. E afirma: “A posição da Fifa, de modo algum, jamais será alterada por qualquer ameaça ou tentativa de chantagem. (…) A Vivendi é uma alternativa para a Fifa, mas sem dúvida não é a única”.

    Procurados pelo jornalista inglês, Valcke e Blatter não quiseram comentar o teor da correspondência que fala em chantagem. “Qualquer estagiário de contabilidade poderia encontrar o rastro do dinheiro sujo da ISL na primeira manhã de trabalho”, provoca Jennings. “Valcke e sua equipe teriam encontrado alguma evidência? Como eles não poderiam?”

    No caso do patrocínio das operadoras de cartão, ficou comprovado que Valcke e sua equipe negociaram simultaneamente com Visa e MasterCard, sem respeitar o “direito de preferência” e de “primeira recusa” que a última empresa detinha. A Fifa teria omitido da Visa a restrição contratual que a impedia de negociar com terceiros sem antes fazer uma oferta à Master-Card. Esta, por sua vez, acabou ludibriada com a falsa perspectiva de uma negociação exclusiva por um prazo de 90 dias. Para a juíza americana Loretta Preska, desde o início Valcke teria privilegiado a Visa, chegando, inclusive, a apresentar as ofertas de patrocínio para a concorrente de sua antiga parceira antes da própria.

    “Enquanto as testemunhas da Fifa em julgamento denominaram de forma audaz as quebras (contratuais) como ‘mentiras inofensivas’, ‘mentiras comerciais’, ‘blefes’, e, ironicamente, ‘o jogo’, seus e-mails internos discutem as ‘diferentes desculpas para dar à MasterCard sobre o motivo de o contrato não ter sido fechado com eles”, anota a juíza na sentença. Stefan Schuster, da equipe de Valcke, chegou a comparar as mentiras à infidelidade no casamento: “Bom, se você disser à sua esposa que a está traindo, é uma interrupção do casamento. Se ela não souber disso até o fim, se você viveu bem até os 90 anos, talvez esta seja a melhor maneira”. Mas ele próprio, por e-mail, teria alertado o chefe de que o claro favorecimento à Visa poderia comprometer a “credibilidade da Fifa no mercado”.

    Na reta final das negociações, subordinados de Valcke sugeriram que, ao menos, fosse dada uma chance para a MasterCard cobrir a oferta da Visa (180 milhões de dólares, mais um contrato adicional de marketing de 15 milhões). Valcke preferiu enganar os negociadores da MasterCard até comunicar a decisão final. Em juízo, Valcke admitiu ter recusado a sugestão por interesse próprio. “Se a MasterCard tivesse dito sim, nós subiríamos a oferta. O Comitê Executivo (da Fifa) poderia pensar que tinha oferecido o contrato de patrocínio por um preço menor que o real e que eu não tinha feito o trabalho corretamente.”

    Quando retornou à Fifa, após os dez meses de afastamento, Valcke deu uma entrevista ao jornal britânico The Independent, na qual nega ter obtido vantagens financeiras pessoais da negociata. “Eu cometi o maior erro da minha vida ao dizer que, nos negócios, não dizemos sempre a verdade, e isso foi entendido como uma ‘mentira comercial’”, justificou-se. Certo é que Valcke contava com o apoio de Blatter, que defendeu as iniciativas do seu diretor de marketing nas reuniões do Comitê Executivo da Fifa.

    Além disso, em e-mail para Tom Shepard, vice-presidente de parcerias da Fifa, Valcke afirma “que era a intenção de Blatter que a Visa obtivesse o patrocínio” de qualquer forma. Àquela altura das negociações, a MasterCard tinha a melhor oferta: 30 milhões de dólares a mais que a concorrente. Em juízo, Valcke sustentou que essa era mais uma de suas “mentiras inofensivas”.

    Os rumores de que Blatter deve apoiá-lo nas eleições para a presidência da Fifa, em 2015, podem azedar a relação de amizade que Valcke mantém com Ricardo Teixeira. O brasileiro passou dois réveillons ao lado do secretário-geral da Fifa na sua casa em Angra dos Reis, litoral fluminense. Muito além dos passeios de iate pela costa brasileira, ambos trabalham em perfeita sintonia nos preparativos da Copa de 2014. Todas as vezes que Teixeira, nos bastidores, pressionava o governo a liberar os recursos para a Copa, Valcke aparecia publicamente para criticar a lentidão das obras de infraestrutura para o mundial.

    No imbróglio do Estádio do Morumbi, a dupla também agiu com harmonia. Desde o início de 2009, o São Paulo Futebol Clube, proprietário da arena, apresentou cinco projetos de reforma para poder abrigar os jogos da Copa. Também apresentou garantias para executar as obras, orçadas entre 200 e 250 milhões de reais. Todos foram recusados por Teixeira, presidente do Comitê Organizador Local (COL), que tentou impor um projeto de 650 milhões de reais, muito além das possibilidades do clube. Em conversas reservadas, diretores são-paulinos afirmam que, desde o início, houve má vontade por parte dos organizadores, que colocavam novas exigências a cada projeto apresentado.

    Um desses diretores, envolvido na negociação com a Fifa, afirma que, ao contatar investidores para a reforma do Morumbi, eles informavam que já haviam sido procurados pelo empresário J. Háwilla, dono da Traffic, que atua em marketing esportivo, para criar um fundo privado e erguer um novo estádio em São Paulo. Tudo com o aval de Teixeira e o beneplácito do prefeito Gilberto Kassab, que admitiu ter se encontrado com o presidente da CBF, há um ano e meio, para discutir sobre as arenas paulistanas.

    Na mesa estaria o projeto do estádio Piritubão, orçado em 1 bilhão de reai-s. Somados os investimentos no entorno, incluindo hotéis e centro de convenções, a cifra passa dos 6 bilhões de reais. Kassab nomeou seu secretário de Planejamento Urbano, Miguel Bucalem, para desenhar o modelo de negócio do estádio. Bucalem já teria, inclusive, encontro marcado com dirigentes da Fifa para tratar do assunto na África do Sul.

    Háwilla e a Traffic negam envolvimento na articulação por um novo estádio na capital paulista. Menos parcimoniosos, Teixeira e Valcke nunca excluíram essa possibilidade, e se dedicaram a desqualificar publicamente os projetos de reforma do Morumbi. Quando finalmente o estádio foi vetado para a Copa, o francês festejou: “É uma boa notícia. Tentamos trabalhar com o Morumbi há meses, anos. Sempre apareciam novos projetos. Chega uma hora que você tem de parar de brincar”.

    O governo brasileiro enxerga, na Copa de 2014, uma oportunidade de atrair investimentos para o País. O custo, no entanto, é elevado: mais de 20 bilhões de reais em gastos estatais. O valor, na verdade, pode ser muito maior se levar em conta que o Pan-Americano do Rio de Janeiro, em 2007, custou dez vezes mais que o orçamento inicial. A preocupação fica por conta das regras para a aplicação do dinheiro, já determinadas pela Fifa, que cobra a execução das obras de acordo com seus interesses e de seus patrocinadores, não necessariamente os interesses públicos. E, por trás da Federação, há o influente Valcke dando as cartas.

    mais uma do belluzzo

    Lina: Um bando de imundos.

  17. carlos luchetta Says:

    Lina, já há algum tempo parei de dar risadas com as sandices do fascistinha verde.
    Então, o que passa?
    Copiaram o seu texto e modificaram? É isso?
    Abraço.

    Lina: Leram aqui e copiaram lá.

  18. Finorio Says:

    O cara copiou tua matéria Lina ! E claro tirou o que não era interessante pra eles, óbvio. Tá lá no cortiço dele.

    Lina: Me mandaram o link e o texto.

  19. Jorge Tri-Hexa Says:

    Essa vou imprimir e colocar na minha mesa.
    A porcada vai ter que ler.
    A gente ensina história pra elas, não tem problema.

    Lina: E quem disse que elas aprendem ?

  20. Hannibal Says:

    João Paulo? Cadê você? Foi rezar pro Ducce? kkkkkkkk

    Lina: Foi acender uma vela pro Mussa no altar que ele tem em casa…

    • Henrique Soberano Says:

      O João Paulo foi dar a bunda pro Marcos.
      O líder dele faz o mesmo.

      Lina: KKKKKKKKKKKK

    • João paulo Says:

      p problema é que o lina anda censurando minhas respostas, provavelmente mnao postara nem essa, essa é a dura realidade de aprendiz de ditador fracassado

      Lina: Para de falar merda e não se dirija a ninguém com ofensas.

  21. Franklin Says:

    Lina, belíssimo post.
    Não há duvidas que o Tricolor nunca quis nada com aquilo, mas não custa nada falar com fontes, links e informações pra desmentir os velhos argumentos pífios e infâmes.

    Lina: Pra desmascarar a escória é que fizemos esse blog.

  22. Renato Soares Says:

    Imaginar que o São Paulo ia “tomar” no braço um estádio, só pode vir da cabeça de um monte de torcedor que tem vergonha do lugar que ocupou na história.

    Lina: Nem poderia tomar.

  23. Felipe 6-3-3 Says:

    Isso aqui tem que ser publicado em todos os blogs do São Paulo.
    Só isso.

    Lina: Aos poucos a galera vai lendo e divulgando…

  24. Barman Says:

    Cadê a porcada pra falar merda agora ?

    Lina: Devem estar planejando mais uma imundície.

  25. Hannibal Says:

    Paçoquinha Itália! kkkkkkkkkk, desculpa!

    Lina: KKKKKKKKKKK

  26. celso Says:

    Sempre achei esta história furada. São Paulo, tentar tomar o Palestra Itália? Infelizmente, nosso povo é assim mesmo, se alguém consegue alguma coisa na vida, ignora-se o esforço e diz-se que conseguiu porque teve sorte na vida, que roubou, bla bla bla…

  27. Eu gosto é do futebol | Segue o Jogo Says:

    […] com mistificações de todo o tipo. Segundo os palmeirenses é verdade indiscutível que foi o São Paulo o responsável pela sua perseguição pelo governo Getúlio Vargas. Para os corinthianos é patente que o Morumbi só pode ter sido construído com base em achaques […]

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